Meu novo romance, a publicação independente e a recepção até agora

Em julho, lancei meu segundo romance, Marcela Onde For, inicialmente apenas em e-book no site da Amazon, para participar do prêmio Kindle (o resultado ainda não saiu, então torçam por mim) e, em seguida, a versão física. Desde então, já passaram 4 meses, e resolvi escrever este texto falando sobre o livro e a experiência toda.

Para quem não está familiarizado, publicação independente é quando o autor lança o livro sem a ajuda de editora. Na prática, significa que todo o processo foi feito por mim, incluindo capa, escolha de gráfica, divulgação, venda e etc. Aliás, para quem me pergunta, a capa foi feita por mim, e o desenho é inspirado numa caixinha de Rivotril. Olhe com a devida abstração e você verá.

Neste contexto, a maior dificuldade, sem dúvidas, é a divulgação. Não estou falando nem em matérias de jornal e blogs aos quais grandes editoras têm acesso, mas o mero fato delas possuírem páginas com um número considerável de seguidores já ajuda demais. Tenho feito toda a divulgação pelo Instagram, e o poder das mídias sociais é realmente impressionante. Por exemplo, quando alguém que leu meu livro compartilha algo nos stories, gera mais impacto do que qualquer propaganda ou impulsão feita no aplicativo. Obviamente, sou limitado pela minha timidez ou, na minha visão, bom senso: me recuso a gravar tik tok, videozinho dançando, e outras formas mais apelativas de divulgação. Mesmo assim, pouco a pouco, a primeira impressão está quase esgotada, o que é algo incrível.

Agora sobre o livro em si. O estalo para o romance aconteceu em Lima, no Peru, enquanto eu passeava com meu irmão na Praça das Armas. Neste dia me veio a ideia do rapaz em outro país procurando por uma garota, e a primeira versão do livro começava em Lima. Eu cortei esta parte ao longo da escrita, e a única referência que sobrou foi o nome do personagem: depois de um porre na cidade peruana, eu e meu irmão acabamos numa padaria chamada Manolos. Daí o Manolo, nome do protagonista.

Marcela, a personagem que dá nome ao livro, surgiu logo em seguida, naturalmente. Naquela tarde em Lima, quando comprei um caderno para escrever o primeiro capitulo, eu já sabia que seria um rapaz chamado Manolo atrás de uma garota chamada Marcela. Henry Miller escreveu que o melhor jeito de esquecer uma mulher é transformando-a em literatura, e ainda que ambos os personagens sejam ficcionais, esta ideia ficou na minha cabeça. Ela tem um quê de obsessão que me ajudou a construir Manolo.

Durante o resto da viagem, e nas semanas seguintes, continuei escrevendo a história no meu caderno, até ser interrompido pela volta de um problema: minha ansiedade galopante. As coisas saíram um pouco do prumo, e no ano seguinte, talvez mais, sofri com depressão e crises de pânico, que me obrigaram a apertar o pause em algumas partes da minha vida. Quando voltei a escrever, esse período automaticamente acabou entrando na história, e é a única coisa na obra que pode ser considerada baseada na minha vida: apesar de ser uma história ficcional, com personagens e situações ficcionais, ela foi inspirada em sentimentos reais desse período difícil.

O resultado de tudo isso foi Marcela Onde For, este livro de cento e poucas páginas que demorei quase 4 anos para terminar.

A recepção até agora tem sido bem bacana. Não apenas pelas vendas, mas pelas pessoas que leram. Curiosamente, o maior apelo da obra tem sido a questão da depressão e ansiedade, e os mais interessados até agora são os que já passaram por esse tipo de problema. No fim, está é a melhor sensação: escrever uma coisa que inventei na minha cabeça e ver gente que nunca vi nada vida se identificar com ela. Agora, estou me preparando para o próximo passo, que é um pouco mais difícil: na primeira impressão, muita gente compra só porque é seu amigo. Da segunda para frente, no entanto, você já vendeu para este grupo de pessoas mais próximas de você, então precisa encontrar novos leitores. É a batalha por ser lido e, principalmente, ouvido, neste ambiente de tanto ruído branco das redes sociais, em que a todo minuto há alguém te chamando para adquirir alguma coisa. Incluindo eu.

Este é o cenário até agora. Ele é bem melhor do que eu imaginava quando lancei o livro. Sei que muitos de vocês que leem estes meus textos já compraram, e agradeço imensamente por isso. Um escritor só existe enquanto é lido, então eu só existo por causa de vocês. Muito obrigado, do fundo do coração.



Se você ainda não leu e se interessou pela obra, é só clicar no link abaixo. Nele, você poderá escolher entre a versão física e digital (Kindle):


https://www.pauloegreja.com/shop



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