Um bando de gente horrível - Reavaliando alguns casais do cinema (e das séries)

Forrest & Jenny, Forrest Gump

Jenny é uma pessoa horrível. O filme tenta nos vender um amor que dura ao longo do tempo, mas a única explicação é essa: Jenny é uma pessoa horrível. Ela é uma mulher egoísta que toma todo tipo de decisão errada, enquanto brinca com os sentimentos de um rapaz mentalmente incapaz que mantêm na friendzone, até o fim da história, quando ela, mãe e portadora de HIV, “aceita” finalmente ficar com Forrest, agora um multimilionário dono da Apple. Jenny dá atenção a Forrest conforme sua conveniência, e então dá ghosting no rapaz. A história seria muito melhor se, logo no começo, ela deixasse claro que não quer nada com ele, deixando Forrest livre para conhecer alguma garota esquisita que o fará feliz.

Ross & Rachel, Friends

Ross foi um sujeito tóxico antes do termo virar moda. Quando Rachel finalmente consegue seu emprego dos sonhos na Bloomingdale’s, ele desenvolve um ciúme paranoico e não consegue lidar com o fato de não ter mais a atenção absoluta da namorada. Talvez um dia tenhamos achado tudo romântico, mas Ross na verdade é um sujeito escroto que era mais feliz quando a namorada trabalhava como garçonete, não tinha dinheiro e nem vida própria, e ele tinha todo o controle sobre o relacionamento (se você não acredita em mim, experimente ver as cenas dessa temporada sem as risadas no fundo). De quebra, ao invés de declarar seu óbvio amor por ela, passa o restante do seriado expondo mulheres a situações constrangedoras, falando o nome errado no altar ou levando Rachel para morar com ele sem avisar a garota com quem está saindo.

Anastasia & Christian, 50 Tons de Cinza

Eu não vi o filme nem li o livro, mas sei o suficiente da história para dar uma opinião, ainda que genérica e preconceituosa: se o personagem fosse pobre, seria um thriller de suspense sobre um stalker que quer levar a mocinha para fazer sacanagem no quartinho dos fundos. Por isso, podemos concluir que a grande mensagem por trás de 50 Tons de Cinza é que todo mundo, inclusive as mulheres, toleram todo tipo de bizarrice se você for rico e bonito.

Hank & Karen, Californication

Hank Moody é um sujeito auto-destrutivo que mesmo quando bem intencionado acaba fazendo besteira. No entanto, o grande vilão da série é Karen, sua musa. Ela alimenta a paixão do ex-namorado, volta com ele diversas vezes, e depois o culpa por não ser a pessoa que ela quer que ele seja. Considerando que muitos das cagadas que Hank comete gira ao redor de seu amor por Karen, e que os momentos mais felizes dele no seriado são quando está longe dela, ela tem uma parcela de responsabilidade no que acontece com ele, porque não consegue simplesmente deixa-lo ir embora para sempre. É uma relação codependente e doentia, mas que ela está no controle.

Capitão Nascimento & Neto, Tropa de Elite

Pouca gente percebe, mas Tropa de Elite é o Brokeback Mountain brasileiro, só que ao invés da montanha, o amor proibido acontece no morro. Homoerótico ao extremo, o filme conta a história do Capitão Nascimento, um oficial que já não suporta mais manter seu casamento de fachada, e compensa sua homossexualidade praticando violência contra minorias (a punição com o cabo de vassoura não é mera coincidência). Um dia, num retiro só de homens no meio da floresta, ele conhece Neto, um jovem policial. “Tira essa farda porque você é moleque” se torna o código para as escapadas do casal, até que Neto é assassinado, pondo fim as esperanças de Nascimento, que, para aplacar a frustração, volta a subir o morro para praticar violência contra minorias.

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